Paddy Pimblett previu o próprio nocaute no UFC 329, e a torcida contra ele não diminuiu nem um pouco

Tem gente que erra o palpite. Paddy Pimblett não. No co-main do UFC 329, ele disse a semana inteira que Benoît Saint-Denis ia tentar uma queda logo de cara e que ele ia aproveitar para dormir o francês. Foi exatamente isso que aconteceu, em 52 segundos.

Saint-Denis trocou dois ou três golpes, sentiu que estava perdendo a troca e foi para o chão em busca de um takedown. Pimblett recebeu de braço estendido, girou o corpo, sentou no chão com o D’Arce já fechado e não soltou mais. Saint-Denis tentou escapar em vez de bater, e apagou. Foi a segunda finalização por D’Arce choke mais rápida da história do UFC, atrás apenas do que Kyle Daukaus fez em 50 segundos.

“Ele está inconsciente, cara”

Foi assim que Pimblett avisou o árbitro, no meio da comemoração. Depois, na entrevista de octógono, ele repetiu o que já tinha dito a semana inteira nas coletivas: “Falei para todo mundo que ele ia tentar a queda e que eu ia deixá-lo inconsciente.” Não teve nada de sorte nessa combinação. Foi um scouting correto, executado como planejado.

O detalhe que rodou mais depois da luta, porém, não foi técnico. Semanas antes do evento, Pimblett tinha dito ao próprio treinador algo como “se eu não ganhar essa luta, qual é o sentido de continuar lutando, é melhor eu me aposentar.” A frase voltou à tona horas depois da vitória e virou manchete em meio mundo. Eu não acho que ele vá parar de lutar tão cedo, mas dá para entender por que a fala pegou: um cara que acabou de entregar uma das finalizações mais rápidas do ano falando em aposentadoria soa mais dramático do que devia.

Saint-Denis, para o crédito dele, não fugiu da câmera. “Essa derrota é brutal e difícil de engolir, mas faz parte da jornada. Vou aprender com isso, vou trabalhar duro e vou voltar mais forte. Parabéns ao Paddy pela performance. Tenho certeza que nossos caminhos vão se cruzar de novo,” disse.

O problema é que a torcida contra ele não vai embora

Aqui está a parte que me interessa mais do que o resultado em si. Pimblett subiu do nono para o quinto lugar no ranking dos leves sem lutar desde abril de 2025, e essa escalada por si só já tinha gerado debate sobre o quanto ele realmente merecia. Teve gente dizendo que o UFC estava acelerando o caminho dele até uma disputa de cinturão em cima da popularidade, não do currículo. Um vídeo dele treinando shadow boxing viralizou de um jeito ruim, com gente apontando que o boxe dele é limitado mesmo com o toque de finalização impedável no chão. E teve quem argumentasse, com razão, que colocar Pimblett para disputar o título na frente de nomes como Justin Gaethje ou Arman Tsarukyan seria premiar audiência em vez de mérito esportivo.

Do outro lado, tem uma legião de fãs que discorda inteiramente: para eles, Pimblett é subestimado, não superestimado, e boa parte da implicância vem de gente que simplesmente não gosta do jeito dele, não da qualidade da luta. Depois do UFC 329, a balança pende mais para esse lado. É difícil argumentar que alguém que previu publicamente cada detalhe da própria vitória, e entregou, está apenas “vendendo hype.”

Eu não vou fingir que a discussão está encerrada. O boxe dele segue sendo o ponto fraco óbvio, e times bons de wrestling vão continuar tentando o mesmo plano que Saint-Denis tentou, só que com mais cuidado. Mas toda vez que alguém me disser que Pimblett é só marketing, vou lembrar dessa luta. Ele disse o que ia fazer, na frente de todo mundo, e fez.

A pergunta que sobra agora é quem o UFC bota na frente dele. Topuria, Tsarukyan e Oliveira estão todos na mesa, e cada um desses nomes resolveria a discussão de mérito de um jeito ou de outro. Só não vale mais dizer que a luta dele não vende sozinha. Essa, pelo menos, já foi respondida.