
Eu esperava um trocador de socos. Todo mundo esperava. O que a gente ganhou foi outra coisa: um minuto e nove segundos de luta, um joelho cedendo no pior momento possível e um Conor McGregor sentado no chão do octógono do T-Mobile Arena perguntando o que diabos tinha acabado de acontecer.
No sábado, 11 de julho, em Las Vegas, Max Holloway confirmou o que já tinha feito em 2024: venceu McGregor de novo. Só que dessa vez não precisou nem suar. McGregor tentou um chute giratório logo na abertura, apoiou o peso na perna direita na aterrissagem e o joelho simplesmente não aguentou. Ele escorregou duas vezes tentando se recompor, Holloway chegou a perguntar ao árbitro Mike Beltran se ia interromper, e quando voltaram de pé foi só mais um chute e um passo incerto de McGregor para o combate ser parado.
TKO por lesão. Ninguém aplaudiu.
A luta que devia ter sido uma vingança
Faz sentido lembrar o contexto: essa era a revanche do “BMF” de 2024, aquele em que Holloway nocauteou McGregor faltando segundos para o fim do último round, num dos finais mais dramáticos que o esporte já viu. McGregor tinha voltado para reverter isso. Em vez disso, saiu carregado, com Dana White confirmando depois que os médicos da organização suspeitam de ruptura do ligamento cruzado anterior.
E aqui está o que me incomoda: mesmo com a lesão evidente, tem gente na internet defendendo que o resultado devia ser anulado. O próprio McGregor foi para as redes sociais pedir “No Contest”, insinuando que escorregou por causa do piso do octógono, e outra ala dos fãs foi na direção oposta, sugerindo que ele já estava com o joelho comprometido antes de entrar. As duas teorias convenientemente tiram o peso das costas dele.
Não compro nenhuma das duas. Lesão durante uma técnica arriscada, aplicada pelo próprio atleta, é resultado de luta. Sempre foi. Se você chuta girando e machuca sozinho ao aterrissar, isso não é “acidente de percurso”, é risco calculado que deu errado. O regulamento da comissão atlética de Nevada não distingue entre nocaute por lesão provocada pelo adversário e lesão provocada por movimento próprio malsucedido. A derrota está no cartório.
O resto do card não mereceu ficar na sombra
O problema de uma luta principal assim é que ela engole a narrativa da noite inteira, e dessa vez foi uma pena, porque o UFC 329 teve um dos cards preliminares mais violentos do ano: sete das lutas terminaram antes do limite. No co-main, Paddy Pimblett fez a melhor performance da carreira dele, aplicando um D’arce choke em Benoît Saint-Denis em 52 segundos. Mario Bautista vingou a derrota de estreia contra Cory Sandhagen com uma decisão apertada e um Suloev stretch que deixou o adversário mancando. Brandon Royval e Lone’er Kavanagh protagonizaram a luta mais caótica da noite, quinze minutos de vaivém que só acabaram com um mata-leão no terceiro round. E King Green, aos 39 anos, salvou uma luta que estava perdendo havia quatro minutos e meio para nocautear Terrance McKinney faltando um segundo pro sino.
Tudo isso vai virar rodapé histórico por causa de nove segundos de chute mal calculado.
E agora, o que vem para os dois
Para Holloway, a vitória reabre uma pergunta que já estava no ar antes da luta: o que fazer com um cara que acabou de ganhar o cinturão peso-leve, o Justin Gaethje recém-coroado? Dana White não gosta de anunciar combinações em cima do resultado, mas a lógica de um Holloway x Gaethje pelo título está posta na mesa.
Para McGregor, a situação é mais sombria. Se a suspeita de LCA se confirmar, estamos falando de um ano, no mínimo, de recuperação, aos 38 anos, depois de anos afastado do octógono e de outra volta que durou menos de dois minutos. Em algum momento a pergunta deixa de ser “quando ele volta” e passa a ser “se ele volta”.
Eu não sei responder isso ainda. Só sei que não foi assim que essa revanche devia terminar.
