O UFC voltou para a Ásia no último sábado, 30 de maio, com a Galaxy Arena de Macau servindo de palco. Três brasileiros ganharam. Dois perderam. O saldo final é melhor do que parece olhando só para os nomes em destaque.
Main event: Figueiredo cai para a guilhotina de Song
Deiveson Figueiredo subiu para o peso galo faz um tempo. Venceu as primeiras lutas na nova categoria, chegou em Macau com currículo de ex-campeão peso mosca duas vezes e com o direito de ser levado a sério como desafiante.
Não foi suficiente.
Song Yadong estava em casa. Literalmente. Lutou na China pela primeira vez em oito anos, com a arena inteira do lado dele. Isso muda alguma coisa num lutador. O primeiro round foi travado: Figueiredo tentou dois takedowns, os dois falharam, nenhum dos dois chegou a dois dígitos em golpes significativos. Aquele round foi uma conversa silenciosa.
No segundo, Song abriu o motor. Começou a pressionar, a caçar. Figueiredo tentou mais um takedown. Song cravou uma guilhotina de pé e o brasileiro bateu em 4 minutos e 42 segundos.
É a segunda derrota seguida do Deus da Guerra no peso galo. Com 37 anos chegando, o timing já não é o que era. A força ainda está lá. Mas a transição para o novo peso pode ter chegado tarde demais, e ninguém deveria fingir que não é isso que estamos vendo.
Heavyweight: Pavlovich acaba com Teixeira em 39 segundos
Tallison Teixeira tinha a pior escalação possível para a segunda luta no UFC. Sergei Pavlovich, terceiro do ranking, com poder de apagar qualquer peso pesado em qualquer round.
Resultou no que todo mundo razoável temia. Um direto de direita, Teixeira ficou de pé mas já estava fora. Segundo direto. Terceiro. O árbitro parou em 39 segundos.
Não tem muito o que analisar numa luta de 39 segundos. Teixeira ainda está aprendendo o nível do UFC. Pavlovich é quem é. A derrota não define o futuro do brasileiro, mas ele precisa de adversários que o deixem mostrar o que tem antes de pegar outro top 5.
Luis Felipe Dias vence por TKO no primeiro round
Agora o lado positivo.
Luis Felipe Dias parou Yi Sak Lee por TKO aos 3 minutos e 40 segundos do primeiro round no peso médio. A dominância estava clara antes de o árbitro parar. Strikes, pressão, controle do ritmo desde o início. O árbitro parou cedo porque não precisava esperar mais.
Dias está construindo algo no UFC. Essa vitória em solo asiático, longe de qualquer torcida favorável, conta mais do que parece.
José Souza vence Ding Meng na decisão dividida
José Souza bateu Ding Meng por decisão dividida no peso meio-médio. Placar de 30-27, 28-29, 29-28. Sempre que você vê esse placar sabe que a luta foi disputada o suficiente para um juiz enxergar diferente dos outros dois.
Não é a vitória mais bonita. É a vitória que importa. No meio-médio do UFC, vencer fora de casa com a decisão apertada ainda coloca o W no cartel. Consistência é o que separa quem fica de quem vai embora cedo.
Jaqueline Amorim finaliza com armbar
Melhor resultado brasileiro da noite.
Jaqueline Amorim submeteu Loma Lookboonmee com uma chave de braço aos 4 minutos e 4 segundos do primeiro round no peso palha feminino. Lookboonmee tem histórico no UFC, não é adversária de cortesia. Amorim foi para cima desde o início, buscou o chão e fechou com técnica limpa.
Finalizar uma atleta experiente no UFC diz muito sobre onde Amorim está agora. Esse é o tipo de vitória que começa a construir ranking de verdade.
O restante do card
Alonzo Menifield nocauteou Zhang Mingyang no co-main event por TKO a 4 minutos e 15 segundos do primeiro round. A luta levou o bônus de Luta da Noite para os dois. Foi uma troca feia no bom sentido, com os dois acertando e sendo acertados até um parar de se levantar.
Kai Asakura nocauteou Cameron Smotherman em 1 minuto e 50 segundos. Rápido e sem contestação.
Jake Matthews venceu Carlston Harris por unanimidade com placar de 30-25 em dois dos cartões. Harris não ofereceu quase nada. Matthews foi mais consistente nos três rounds e a luta refletiu isso.
Alex Perez e Sumudaerji terminaram em no-contest por cotovelada acidental na virilha no segundo round. Frustrante para todo mundo que queria ver o desfecho.
Angela Hill derrotou Xiong Jingnan por decisão unânime no peso palha feminino, 30-27 nos três cartões.
Rei Tsuruya finalizou Luis Gurule com mata-leão aos 3 minutos e 19 segundos do primeiro round.
Cody Haddon derrotou Aoriqileng completando o card das prélias.
O saldo final
Três vitórias, duas derrotas para o Brasil. O problema é que as derrotas vieram nos papéis de destaque. Figueiredo perdeu a luta que mais tinha peso, Teixeira saiu antes de mostrar o que tem.
Mas Amorim, Dias e Souza estão se consolidando. São os nomes que vale acompanhar daqui para frente. Com Figueiredo em ponto de interrogação sobre o futuro, a geração que está chegando é quem vai carregar o Brasil no UFC pelos próximos anos.
