Erros faixa branca jiu-jitsu: os 5 que todo iniciante comete

Sabe aquele cara que chega na academia com uma semana de treino e já acha que entende de guarda? Provavelmente já foi você. Provavelmente já fui eu também.

A faixa branca é a fase mais honesta do jiu-jitsu. Você não sabe nada, e todo mundo sabe que você não sabe nada. O problema é que muita gente transforma essa ignorância em erro repetido. E erro repetido vira hábito ruim.

Aqui estão os cinco erros que vejo em praticamente todo faixa branca. Se você se identificar com algum, é hora de mudar.

1. Usar força no lugar de técnica

Esse é o clássico. O faixa branca trava num rola e ao invés de pensar na posição, ele simplesmente empurra com tudo que tem.

O resultado? Você cansa em dois minutos, o parceiro fica irritado, e você não aprendeu nada.

Jiu-jitsu é eficiência. Gracie criou o esporte justamente para que pessoas menores consigam se defender de pessoas maiores. Se você está usando força bruta, você não está praticando jiu-jitsu — está fazendo luta de boteco.

A próxima vez que você travar numa posição ruim, para. Respira. Pergunta pro seu cérebro o que você aprendeu nessa semana. Existe uma técnica para isso. Se não existe, pergunte para o professor.

2. Ignorar a base

Faixa branca tem a mania de querer inventar moda por baixo e tentar golpe mirabolante. É o caminho mais rápido para ser finalizado.

A base é a fundação de tudo no jiu-jitsu. Sem base, você cai para qualquer lado com o primeiro movimento do parceiro. E quando você cai, você perde posição. E quando você perde posição de novo, você fica frustrado e usa força.

Viu o ciclo?

Trabalhe sua base de joelhos antes de tentar qualquer passo. Trabalhe o quadril baixo. Aprenda a distribuir seu peso. Isso é chato? É. Mas é isso que separa quem sobrevive do rola de quem se perde nele.

3. Rolar com todo mundo na mesma intensidade

Existe um pessoal que chega no treino livre e vai a 100% com todo mundo — do professor ao iniciante de três dias.

Esse comportamento é problemático em dois sentidos. Primeiro, você se machuca mais. Segundo, você impede o aprendizado. Quando você vai na força total com uma faixa branca mais nova, você não aprende a técnica — aprende a atropelar. Com um professor, você só aprende que ele é melhor que você.

Calibre a intensidade de acordo com o parceiro e com o objetivo do treino. Com quem é mais novo, foca em manter posição e tentar finalizações limpas. Com quem é melhor, foca em sobreviver e não ser passivo.

4. Não fazer perguntas

Isso é cultural. Brasileiro, no geral, tem vergonha de perguntar. Acha que vai parecer burro.

No jiu-jitsu, não perguntar é garantia de estagnação.

Seu professor está ali para isso. Você acabou de levar uma chave que não entendeu de onde veio? Pergunta. Você travou três vezes na mesma guarda e não soube sair? Pergunta. Você ficou confuso sobre qual das duas técnicas usar numa posição? Pergunta!

Os melhores alunos e os que vão avançar mais rápido não são os mais talentosos. São os que enchem o professor de perguntas depois do treino.

5. Faltar quando o treino está difícil

Esse é o erro mais sutil e talvez o mais prejudicial.

Você vai no treino, leva uns amassos, sai achando que não é bom o suficiente. Na próxima semana, aparece uma desculpa. “Tô cansado.” “Tenho compromisso.” “Semana que vem eu compenso.”

O jiu-jitsu é um esporte de consistência. Talento conta pouco. Frequência conta muito. O cara que aparece toda semana por dois anos vai passar o cara talentoso que some de vez em quando.

Treino ruim ainda é treino. Dia de tomar porrada ainda é dia de aprender. Vai pro treino.

Resumindo

A faixa branca não é uma fase para ser apressada. É onde você constrói os alicerces. Erro de fundação no jiu-jitsu aparece mais tarde, quando a técnica fica mais complexa e as falhas ficam mais expostas.

Aprende a técnica antes da força. Aprende a posição antes da finalização. Aparece no treino mesmo quando está difícil.

O resto vem com o tempo.

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